II Encontro

ARAÚJO, Mariclécia Bezerra; SOUSA, Nadja Rossana Lopes: O Arquétipo Feminino em um Potencial Energético de Jogo. Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Estudantes do Curso de Licenciatura em Teatro. 

RESUMO

Este artigo apresenta uma possibilidade do ator criador encontrar durante uma montagem cênica uma relação no tempo/espaço que o ajude a manipular algumas qualidades de energia mediante a sua construção expressiva cênica. Para tanto, o primeiro passo proposto foi à definição do tema que seria explorado, desencadeando uma pesquisa bibliográfica sobre o universo feminino, sendo este o portador de questões que movimentou reflexões, tornando-se essencial a leitura de trechos de algumas obras da autora Virgínia Woolf e do autor Mia Couto; além de muitos documentários que destacavam a vulnerabilidade da mulher diante da sociedade. Com a assimilação do potencial desta problemática no campo teórico, adentramos na fase da manipulação individual, onde mediante uma troca energética coletiva, exploramos os sentimentos e os pensamentos na busca dos arquetípicos que são análogos aos instintos humanos. Incentivadas por esta vertente, entramos em um estado de jogo nos laboratórios, com exercícios de improvisações corpóreos vocais, se valendo do uso de objetos, sons, e imagens, com o intuito de inspirar a construção das personagens das atrizes, contribuindo para que elas criassem possibilidades de articular corpo/mente/espírito em ligações orgânicas singulares de interpretação. Neste intervalo, o universo arquetípico das atrizes foi ativado e elas criaram três personagens femininos que possuem em sua constituição os quatro elementos (água, terra, fogo e ar), forças distintas em combustão que horas se afinavam e outras, divergiam entre si. Inspiradas, também, pela analogia dos mitos e histórias de mulheres ao longo dos séculos nasceu desse jarro alquímico, a encenação “Você Lembra?”. Portanto, o aparato teórico de (FERRACINI, 2003), (MOACANIN,1986) e (PINKOLA, 2014), nos ajudou a entender ser o ator um ser criador, que extrai de si ferramentas que o pontencializa, sendo a sua imaginação uma fonte dramatúrgica que lhes revela histórias que estavam adormecidas em seu inconsciente coletivo.

Palavras chavearquétipo feminino; improvisação; energia.

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BENY, Daniela Polito Moraes. DA BORBOLETA AO BÚFALO: A investigação da Dança de Iansã como treinamento energético do/a ator/atriz. Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Mestrado; orientação de Teodora de Araújo Alves. Atriz e diretora.

RESUMO

Esta comunicação visa fazer um recorte da pesquisa em andamento “Os elementos da Dança de Iansã como possibilidade de treinamento do performer” com foco na reflexão de como pode ser desenvolvido um roteiro de treinamento do/a ator/atriz tomando como ponto de partida aspectos simbólicos da execução da Dança de Iansã, relacionando coreografia e mitologia, além do trânsito do campo sagrado para o campo artístico. Será compartilhado aqui parte da experiência de campo vivenciada nos meses de Junho e Julho de 2015, onde a pesquisadora experimentou junto à interlocutora Nany Moreno, Ialorixá, dançarina e coordenadora do Afoxé Oju Omim Omorewá (sujeito/objeto da investigação prática desta pesquisa), aulas da Dança de Iansã. O cruzamento das experiências de campo com apontamentos teóricos de Zeca Ligiéro, Richard Schechner e Eugenio Barba, além das bases do pensamento fenomenológico e conceitos de corporeidade de Merleau-Ponty norteiam essa reflexão de como conhecimentos e práticas corporais afro-brasileiras pautadas na mitologia dos Orixás podem ampliar o repertório corporal e de criação do/a artista cênico/a. 

Palavras-chave: Dança de Iansã; treinamento; Antropologia da Performance.

Trabalho Completo – Daniela Beny

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CECCONELLO, Paulo Eduardo; NAVARRO, Grácia Maria. Sobre a escritura dos deuses: Orixás, travestismo e carnavalização como tecedura para a dramaturgia de Zora Seljan. Campinas: Instituto de Artes da Universidade Estatual de Campinas. Mestrado; orientação de Grácia Maria Navarro. Artista da cena.

RESUMO

Nosso trabalho reflete sobre o processo de tecedura dramatúrgica da peça “As três mulheres de Xangô” de Zora Seljan. Esta pesquisa tem como ponto de partida a estética das danças concebidas nos terreiros de Candomblés da nação ketu. Porém, outros elementos foram elencados para decifrar a tradução do texto para a cena, como o universo da carnavalização e o travestismo, dois disparadores conceituais e estéticos que estruturam as narrativas e a gestualidade desenvolvida nesta proposta de investigação cênica.  No Xirê (festa/cerimônia de Candomblé) ou no carnaval, ambos têm a possibilidade de homens se travestirem de mulher para festejar. O iaô, o homem iniciado nos ritos do Candomblé que tem como santo de cabeça uma Orixá feminina, após o transe torna-se a própria deusa entre os mortais permitindo a concretização das liturgias sagradas; ele deixa de ser homem
para ser “MINHA MÃE”. Assim, como no carnaval tradicionalmente à recorrência masculina de transformar-se em caricaturas femininas para “dar adeus a carne” transgredindo as normatizações muito bem estabelecidas entre macho e fêmea presentes na contemporaneidade. Deste modo, desejamos conceber diálogo entre o sagrado e o profano, estabelecendo relações que permeiam a tônica cultural que envolve a religiosidade afro-brasileira, tais tensões são entendidas como provedoras de arcabouço teórico e imagético para concepção de símbolos cênicos.

Palavras-chaves: Zora Seljan; Dança dos Orixás; Travestismo; Carnavalização.

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COSTA, Daniel Santos. Sob a máscara do mito: Exu, Pombagira e o Palhaço Folião de Reis dançam juntos na encruzilhada. São Paulo: Universidade de São Paulo. Doutorado; Bolsa Capes; Orientadora Sayonara Sousa Pereira. Professor do Curso de Artes/Teatro da Universidade Estadual de Montes Claros  – MG.

RESUMO

Nesta comunicação recorremos à ideia de encruzilhada como dispositivo para refletirmos acerca dos lugares de centramentos e descentramentos no âmbito de uma produção espiralada de conhecimento nas artes da cena. De tal lugar, lócus do conflito, da dialogia, de um pensamento relacional, amplifico um modo de ver e fazer performativo. Tomando o corpo como um lugar de experiência atravessado das memórias incrustadas no corpo recorro a prática artística para alicerçar uma discussão  acerca de um encontro movediço como a natureza potencial do mito. Trata-se, contudo de um homem-encruzilhada, metáfora para compreender estratégias do corpo em profusão de movimentos, em corporeidades experimentadas no jogo cênico com as figuras míticas de Exu, Pombagira, e o Palhaço da Folia de Reis. Alio-me, aqui, a Lévi-Strauss acerca do pensamento selvagem e no desdobramento prático-teórico alicerçado por Verônica Fabrini e Grácia Navarro, no que tange a ideia de corporeidade selvagem no trânsito com a oralidade popular brasileira. Do encontro nessa encruzilhada profanaremos discursos acerca da experiência como acontecimento, da prática como pesquisa, do processo de criação como produção de conhecimento.

Palavras-chave: corpo; corporeidade selvagem; mito; oralidade popular brasileira, prática como pesquisa.

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DALLAGO, Saulo Germano Salles. Teatro e Morte: a manipulação de objetos no espetáculo “Enquanto Dure”. Goiânia: Universidade Federal de Goiás. Professor Adjunto da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG – cursos de Artes Cênicas e Direção de Arte. Ator.

RESUMO

O presente estudo pretende investigar as relações entre ator e objetos na construção cênica do espetáculo “Enquanto Dure”, montagem teatral livremente inspirada no conto “Os Três Nomes de Godofredo” de Murilo Rubião e “A Cantora Careca”, de Eugene Ionesco, que teve sua estreia no ano de 2015 na cidade de Goiânia. O espetáculo, contando com uma perspectiva de criação plural, partindo de um texto literário e usando componentes das linguagens do teatro, dança e audiovisual, apresenta traços simbolistas muito marcantes, tanto no que diz respeito a cenários e adereços, possibilitando ao casal de atores que interpreta os protagonistas da narrativa uma grande relação com os elementos de cena, sejam eles reais ou imaginários, permitindo que os objetos, para além de acessórios, tornem-se ativos na misé en scene da obra. Como ator que representa o personagem título Godofredo do texto original, abordarei a manipulação destes objetos na perspectiva da composição do papel por mim interpretado, aspecto ímpar para a compreensão dos símbolos arquitetados a partir do trabalho das diferentes direções do espetáculo, tendo como eixo de reflexão as teorias acerca da utilização de objetos (in)animados no teatro do diretor polonês Tadeusz Kantor.

Palavras-Chave: Interpretação; Teatro de Objetos; Tadeusz Kantor.

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DUARTE, S. Camila. Entre Ruínas e Escombros: Deslocamentos poético-políticos na trajetória artística de Lida Abdul. Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte; Mestrado; Bolsa CAPES; orientação de Luciana de Fátima Rocha Pereira de Lyra.

RESUMO

Essa comunicação tem como proposta compartilhar o processo de pesquisa em andamento acerca do trabalho desenvolvido por Lida Abdul, no qual a artista desloca ações e espaços cotidianos, lançando-se à criação de imagens oníricas através da construção de cenários poéticos em paisagens reais. Ao relacionar as ruínas herdadas de situações de conflito às ruínas provocadas no Homem pelo próprio Homem, por meio de uma linguagem experimental, defende-se que a artista é capaz de desestabilizar o senso comum em relação a imagens referentes à guerra, por exemplo, ou mais especificamente a guerra no Afeganistão, país de onde é oriunda. É possível captar o teor político de suas performances ao considerá-las como uma forma de perceber, ler e agir frente às demandas de uma sociedade que beira o colapso, sem desconectar-se de certa magia que também é um fator presente em suas obras. Reconhece-se a importância de seu trabalho na medida em que ao acessá-lo, nota-se que Abdul indica caminhos nos quais possibilita a transformação de informações vigentes a respeito do que se difunde sobre seu país de origem e ensina-nos com sua alma um pouco sobre as guerras e resiliências que compõe a alma das cidades, dos seres, dos espaços. 

Palavras-chave: Performance, Guerra, Ritual, Ruínas, Paisagem.

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FERRAZ, Renata Rocha.Firmei Meu Ponto Sim, no Meio da Mata Sim, Salve a Cora De Rei Malunguinhoestudo da dança dos mestres da jurema.Salvador: Universidade Federal da Bahia (UFBA). Arte educadora, Dançarina e Cientista da Religião.

RESUMO

A seguinte pesquisa abordou elementos da dança dos mestres da religiosidade Jurema, nas cidades de Recife-PE, numa perspectiva de participante do processo histórico desses sujeitos. Entre suas características principais, no campo das religiões afro-indigenas, destaca-se a interferência do sobrenatural manifestado no corpo físico, especialmente por mestres juremeiros e caboclos o que entende-se aqui como um estado de corpo alterado.Em meio a pesquisa o foco de se trabalhar com a dança dos mestres da Jurema  se transformou  na dança de um mestre especifico, Malunguinho pela  exuberância e magnetismo  de sua dança. Historicamente ele foi um  grande líder negro que em vida lutou pelo seu povo e foi ressignificado na religiosidade Jurema.Sandro do Juca juremeiro da região de Recife-PE, em relato ao documentário Malunguinho (2014) refere se  a esse mestre como tendo características de três espíritos das religiões afro brasileiras o primeiro é “Exu”, o questionador, o que vai atrás de um caminho a solução, depois o  “Caboclo” quando trás toda a sua ritualística com suas plantas, flores e ervas e o “Mestre” que está sempre gerenciando a situação, sempre numa posição de comando na missão de auxiliar os seres humanos.A partir do olhar e dos “textos corporais” da dança do mestre Malunguinho criei pistas para um processo criativo em dança.

Palavras chaveDança. Jurema. Mestre. Corpo e Corporalidade.

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FIGUEIREDO, Laura Maria.  Os avatares do deus ex machina – as metamorfoses das matérias cênicas em busca de suas linguagens. Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Professora Assistente do Curso de Teatro – Departamento de Artes, Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Colaboradora do Grupo Arkhetypos de Teatro da UFRN – Cenografia e Iluminação. Mestre em Artes pela ECA/USP.

RESUMO

O trabalho realiza um panorama histórico das metamorfoses ocorridas nas formas teatrais, através das interações entre os elementos materiais da cena: cenografia, iluminação cênica e outras tecnologias de encenação; para mostrar como diferentes morfologias foram definidas pelo olhar requerido para o público em relação à cena : sagrado, profano ou mágico. Podemos verificar no teatro ocidental, especialmente em seus momentos de grandes transformações: Grécia Antiga, Renascença, Barroco e Modernismo; que os espaços cenográficos ampliaram ou reduziram suas áreas de significação simbólica, nas interações dialéticas entre os elementos dessas tecnologias com o discurso da cena, protagonizado pelo corpo humano em performance.  São utilizados como fontes para tecer os caminhos desta reflexão os conceitos sobre espaço cênico que se desprendem dos livros do encenador Peter Brook, especialmente The Empty Space. Além das obras dos cenógrafos e encenadores: Edward Gordon Craig, Adolphe Appia, Josef Svoboda e Robert Wilson.

Palavras-chave:  Cenografia;  Símbolo, Metamorfoses.

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GONÇALVES. Luiz Davi Vieira. A PERFORMATIVIDADE NO XAMANISMO YANOMAMI: o corpo e sua expressividade. São Gabriel da Cachoeira – Amazonas: Aldeia Maturacá – etnia Yanomami. Universidade do Estado do Amazonas; professor Assistente. Doutorado; Universidade Federal do Amazonas; orientadora Deise Lucy Montardo. Apoio Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Brasil Plural – Manaus; Grupo de Pesquisa Maracá.

RESUMO

Com o objetivo de iniciar uma investigação sobre a corporeidade no ritual com base na Etnia Yanomami da aldeia Maturacá, que se encontra no Alto do Rio Negro; especificamente na divisa do Brasil com a Venezuela, este artigo visa o estudo sobre performance e xamanismo, tendo como fonte de pesquisa o trabalho de campo desenvolvido no período de vinte e dois dias na aldeia destacada. Este pré-campo, configura-se como parte inicial da pesquisa de doutoramento em Antropologia Social, com o tema: A Performatividade no Xamanismo Yanomami: um olhar sensível para a Corporeidade, a Musicalidade e o Espaço no Ritual.  Basicamente a linha teórica será sobre os alfarrábios dos seguintes autores: Jean Matteson Langdon (1996) e Joana Overing (1994). Anthony Segger, Roberto DaMatta e Viveiros de Castro (1987), Richard Schechner (2006, 2011) e John Cowart Dawsey (2005, 2006, 2011), em todo caso, outros autores e fontes provocativas aparecerão como fundamentações teóricas e estéticas.

Palavra-chave: Performance; Xamanismo; Yanomami; Corpo; Antropologia Social.

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LIMA, Marlini Dorneles ; SILVA , Renata de Lima. Itinerâncias poéticas: breves reflexões sobre processos de criação. Goiânia: Universidade Federal de Goiás.

RESUMO

A presente proposta de comunicação é um exercício de reflexão e análise da performance “Entre raízes, corpos e fé”,  realizada  pelo Núcleo Coletivo 22, com intuito de investigar poéticas para a cena da dança na contemporaneidade, pautadas em matrizes estéticas presentes nos saberes e fazeres tradicionais das mulheres do cerrado e no cotidiano desses corpos. O desafio desta sistematização é apresentar algumas itinerâncias poéticas e trânsitos entre as linguagens artísticas experienciadas ao longo do processo, no qual conceitos e procedimentos explorados e discutidos pelo Núcleo foram acionados, tais como cartografias inventivas, instalação corporal, encruzilhada e lugares/momentos. A encruzilhada como um espaço de imanência vivido na realidade ritualística da vida sugere lugares/momentos que acionados por meio da instalação corporal instauram uma cartografia inventiva.

Palavras-chave: dança; processo de criação; poética.

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MALVEIRA, Ricardo Ribeiro. Casas Santas:  Encantamento e visualidade do espaço híbrido de cena. Montes Claros: Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Doutor e Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – PPGAC/UFBA; Professor no Curso de Artes/Teatro – Unimontes.  Ator; Diretor; Artista Plástico, Catopê e Pesquisador.

RESUMO

Trata-se neste estudo da discussão em torno dos espaços fronteiriços da cena brasileira  na contemporaneidade.  Destacamos os elementos cênicos-rituais,  presentes no imaginário e saberes anualmente atualizados nas festas tradicionais por todo país. São espaços de mistura onde o encantamento e a visualidade   somam-se aos rastos cotidianos,  extracotidianos e aos elementos do sincretismo religioso também comum nas práticas tradicionais. Não bastasse a este contexto temos as influências das práticas cênicas hegemônicas produzindo práticas cênicas onde o hibridismo é força motriz. Este estudo tem como objetivo apresentar alguns resultados obtidos na proposta cênica “Cena Catopê” que buscou um deslocamento entre a performance popular e as práticas cênicas hegemônicas por nós promovido através da negociação popular-teórica que foi discutida na tese “Escrituras (en) Cena do Catopê”. Nossa abordagem tem como base os paradigmas da conversão semiótica, os entre-lugares cênicos da contemporaneidade, o fenômeno do hibridismo e as contribuições da etnocenologia. A metodologia desta  consiste em um estudo bibliográfico, análise dos procedimentos e resultados obtidos na cênica “Cena Catopê”. Partimos do imaginário dos rituais nas festas populares do Congado na cidade de Montes Claros (MG), como as visitas as casas santas dos festeiros e igreja, dos próprios brincantes, Catopês do Terno de São Benedito se revelam numa teatralitura no palco com a transposição dos elementos de visualidade. Atualizamos assim casa santa do espaço arquitetônico teatral com as chamas das velas, o altar, da bandeira que representa o santo, os sons dos tambores, os trajes e as cores do cotidiano espetacular, e suas danças apontam para um possível devir para a cena brasileira. Percebemos as possibilidades  dos Catopês e da dimensão imaginal de seus corpus herméticus  que são capazes de se integrar aos demais elementos de uma cena hegemônica como, uma produção, a narrativa, a marcação, a iluminação  e o contado com a plateia no espaço da arquitetura teatral também casa santa.

Palavras-chave: Encantamento; Visualidade; Teatralitura; Cena Híbrida; Catopês.

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MORAIS, Daniela (Daniela Furtado de Morais) Forja do Corpo, Forja do Tempo: Respiração, consciência e criação na tecitura de novos mundos. Campinas: Universidade Estadual de Campinas (Bacharel). Bailarina, performer e pesquisadora no desenvolvimento de abordagens do corpo-mente voltadas a processos integrativos e criativos, cantora e professora de Iyengar Yoga.

RESUMO

A Forja é um conjunto de abordagens psico-corporais que se organizam conforme um fio condutor previamente escolhido. A Forja em si é morta, não existe. Ela existe no momento em que está trabalhando e o trabalho dela considera tanto quem vai operá-la quanto aqueles que terão seus processos conscienciais encapsulados dentro de uma proposta. A Forja é o cerco possível que enquadra o jogo cênico dando a este jogo o endereço do local a ser visitado. A Forja não diz você é, a Forja diz você está e, através deste filtro, ocorre o vislumbre do ser. A Forja é quente e é nesse calor que os metais amolecem para serem moldados. O molde aqui tem a medida da alma. O molde é volátil, o molde é mutante, o molde é vivo. Ainda que seja volátil, mutante e vivo, o molde é uma dança, um canto e um gesto que ficam impressos na película da memória de quem era e de quem acompanhava. A Forja respira e ajuda a respirar, concentra e ajuda a se concentrar com instruções muito claras que operam multidimensionalmente. A Forja enraíza-se nas tradições psico-corporais do oriente (Butoh de Min Tanaka e Kazuo Ohno e Iyengar Yoga), do Mediterrâneo (especialmente sul da Itália) e das matrizes Afro-brasileiras. A Forja quer viver, a Forja quer forjar, ela quer parir, ela quer ajudar a nascer e tecer Novos Mundos, novos seres, e novos núcleos criativos.

Palavras chave: presença criativa, alma, novos mundos, nascimento,  desenvolvimento psicofísico expressivo.
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NORONHA, Márcio Pizarro. Reflexões em Torno da Arte e da Magia no Pensamento Freudiano – Esboço para um vocabulário e estudo semântico conceitual. Goiânia: Universidade Federal de Goiás. Professor Adjunto e Psicanalista.

RESUMO

Este texto versa retomar alguns dos importantes momentos no pensamento freudiano acerca do pensamento mágico, suas relações com o mundo ritual, as concepções totêmicas, o mundo religioso, os processos psíquicos, a sexualidade e as formas artísticas. Trata-se de uma revisão dos termos magia / mágico e das suas transformações e usos tanto positivos quanto negativos na obra de Sigmund Freud, visando a construção de um pequeno dicionário do termo para usos posteriores. Assim, caracteriza um breve estudo da semântica conceitual (história semântica de conceitos).

PALAVRAS-CHAVE: Magia: Sigmund Freud: Psicanálise; Semântica.

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PITA, Andrea C. Miranda. IMAGEM-KOAN: FRAGMENTAÇÃO OU PLURALIDADE? Jataí: Instituto Federal de Goiás. Professora de Artes Cênicas do Ensino Médio, Técnico e Tecnológico.

RESUMO

A presente proposição pretende editar imagens previamente captadas para a realização de um curta-metragem. O material foi coletado dentro de um curso de videodança e teve como performers atores e bailarinos em locações externas da cidade de São Paulo. Trata-se de um experimento poético que pretende, a partir de leituras determinadas, da assistência de filmes e da reassistência das imagens captadas do projeto, paralelamente à sintonização poética ao que James Hillman identifica como sentido ficcional em Psicologia Arquetípica, propor a edição do referido material. Para tal, existe um roteiro previamente elaborado e serão necessárias as criações dramatúrgica e da trilha sonora.

Palavra-chave: edição, psicologia arquetípica, criação, video, dança, literatura.

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RODRIGUES, Pâmela R. D. Ferreiros alquímicos: da literatura à cena. Campinas: Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Artes da Unicamp; Mestrado em Artes da Cena; orientação de Verônica Fabrini Machado de Almeida.

RESUMO

O filósofo Gaston Bachelard medita sobre a potencialidade da imaginação, que  trabalha como uma forja diante as imagens primeiras, como os ferreiros na alquímica tarefa de metamorfosear os metais. Partindo do princípio de que há uma intervenção ativa da imaginação dos poetas sobre as palavras-imagens, assim como há o trabalho dos ferreiros sobre os metais, é pretendido, analogicamente à essas forças imagéticas refletir sobre o processo dos atores criadores que partem da literatura não dramatúrgica e a transforma em poéticas da  cena. Para tanto, será apresentado descritivamente o trabalho dos grupos Boa Companhia e Grupo Matula Teatro na realização do espetáculo Agda, baseado no conto homônimo de Hilda Hilst.

Palavra-chave: Imaginação; Agda; Bachelard; Poética.

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SILVA, Janaina Gomes da. IEMANJÁ: A mistura alquímica de mitologias pessoais no processo do espetáculo Cara da Mãe. Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Mestrado; Bolsa CAPES; orientação de Luciana de Fátima Rocha Pereira de Lyra.

RESUMO

Propõe-se nessa comunicação refletir sobre a Mitodologia em Arte, conceito/prática cunhada pela Profa. Dra. Luciana Lyra (2011), como um meio de transpor aspectos do inconsciente individual do artista para propostas cênicas/corporais, tendo como exemplo a experiência do espetáculo de dança Cara da Mãe, do Coletivo Cênico Tenda Vermelha (grupo composto por artistas mulheres de Recife/PE).  Esta comunicação tem como objetivo desvelar aspectos da mitologia pessoal da bailarina criadora Janaina Gomes, a partir da experiência do procedimento Alquimia dos Elementos  inserido na Mitodologia em Arte aplicada ao processo do espetáculo. O objetivo deste trabalho,  baseia-se em refletir sobre o surgimento do mito de Iemanjá através do procedimento mitodológico e aprofundar os desdobramentos deste mito guia a partir da perspectiva estética do corpo e da dança deste orixá, mediante o encontro com as movimentações coreográficas realizadas pela bailarina no espetáculo Cara da Mãe.

Palavras- chaveCara da Mãe; Mitologia pessoal; Mitodologia em Artes; Iemanjá.

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SILVA, Karla L. C. M. Thérèse, uma experiência Artetnográfica à luz da Mitodologia em Arte. Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Mestrado; Bolsa CAPES; orientação de Luciana de Fátima Rocha Pereira de Lyra.

RESUMO

Quando a porta do claustro se fecha, uma revoada silente de imagens de uma
ancestralidade conduz a Irmã Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face na travessia dos portais da vida religiosa, ao passo que toma conhecimento do martírio da Santa Joana d’Arc e a assume como mito-guia na jornada Carmelita. Impulsionada pela mística que envolve este encontro, a artista/pesquisadora se reconhece provocada a adentrar neste sacrário. Esta comunicação visa apresentar, por conseguinte, a relação mítica entre as santas francesas Teresa do Menino Jesus e Joana d’Arc no que tange a ressignificação do corpo na vida claustral e o êxtase induzido pelo sacrifício do mesmo, em nome do sagrado. Ancorado no mito das santas, o recorte aqui apresentado se estabelece numa relação alquímica entre o sagrado e a performance, que inspiram a tessitura da corporificação de Thérèse, performance em processo, que se dá à luz dos conceitos – práticos da Mitodologia em Arte e Artetnografia, capitaneados pela Prof.ª PhD. Luciana Lyra, que trafegam pelo universo da Antropologia da Performance e da Antropologia do Imaginário.

Palavras-chave: Sagrado: Mito; Performance: Mitodologia em Arte: Artetnografia.

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SILVA, Sebastião de Sales. A Magia do Brincante: Memórias que atravessam o tempo. Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Mestrado. Pesquisador.

RESUMO

O artigo aqui descrito tem como objetivo central, apresentar a pesquisa em andamento “o ator-brincante: a metáfora da construção do corpo”. A pesquisa faz referência às memórias do ator-pesquisador acerca da brincadeira do Boi de Reis da comunidade do Sítio de Santa Cruz da Cidade de Vera Cruz/RN. Especificamente é realizado um recorte sobre o corpo do brincante “Zé de Moura” – que assumiu durante muitos anos o personagem do Mateus na brincadeira do boi. Assim, a pesquisa atravessa as memórias de um povo, dos brincantes do Boi de Reis e do pesquisador enquanto aquele que se contaminou com a magia da brincadeira. Por fim, a pesquisa ancora-se no processo ritual (TURNER, 1974), precisamente no conceito de tempo liminar e na Antropologia do Imaginário (DURAND, 2012).

Palavras-ChaveMemórias, Brincadeira de Boi de Reis, Ator-Brincante.

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SIQUEIRA, T.C.S. TAMBORES QUE CURAM: Reflexões sobre as matrizes africanas presentes no espetáculo “Revoada”. Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) – Grupo Arkhétypos. Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN).

RESUMO

Este trabalho busca refletir, através de uma abordagem fenomenológica (MERLEAU-PONTY, 1999,2004), como os atores participantes do espetáculo Revoada revelam a presença de matrizes africanas em sua experiência artística/estética. Apropriando-se também dos estudos sobre a arte como veículo (GROTOWSKI, 2011) e do trabalho com os arquétipos (JUNG, 2000, HADERCHPEK, 2013), buscaremos explicitar as formas como o uso de determinados elementos arquetípicos de matriz africana aparecem no processo de construção e se materializam na encenação do espetáculo Revoada. Abordaremos também como alguns destes elementos contribuem para a instauração da liminaridade (TURNER, 1974; ANDRADE, 2010) e consequente ritualização da cena.  Para isso iremos utilizar os relatos dos atores envolvidos no processo e a análise das cenas que julgamos mais pertinentes para a discussão proposta. Por se tratar de uma encenação cuja dramaturgia está em constante processo de construção, alterando-se a cada laboratório e apresentação, não podemos dizer que os resultados a que chegamos sejam conclusivos e inalteráveis, mas no momento atual do espetáculo acreditamos que a forma como são utilizadas as alfaias durante a execução de Revoada são formas perceptíveis de manifestação da influência da cultura africana sobre os sujeitos que se desnudam diante do público. Percebemos também que a utilização da música percussiva em Revoada tem funções semelhantes às encontradas em algumas práticas afro-brasileiras e contribui decisivamente para estabelecer o espaço liminar proposto pela encenação.

Palavras-chave: Teatro – Liminaridade – Matrizes africanas.

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SOARES, Marilia Vieira; IBANEZ, Ana Paula. Ganesha & Exu – Onde os mitos se tocam. Campinas: Universidade Estadual de Campinas. Professora colaboradora. Doutorado; Bolsa CAPES; orientação de Marilia Vieira Soares.

RESUMO

Este trabalho pretende estabelecer e explorar alguns dos pontos de encontro entre as mitologias indiana e brasileira. Para tal, foram escolhidos três vetores que guiarão este olhar: os elementos simbólicos presente nas narrativas míticas escolhidas, as semelhanças entre as narrativas propriamente ditas e o papel que estas ocupam dentro do universo ritualístico ao qual pertencem. Para percorrer esta trajetória, foram escolhidas duas figuras fundamentais dos universos míticos indiano e brasileiro: Ganesha e Exu, aqueles que removem os obstáculos. Dentro do universo mítico indiano, Ganesha é a figura que remove os obstáculos, escreve os grandes livros e é detentor de grande inteligência e memória.  Foi esculpido em barro por sua mãe, Parvati, durante o período em que Shiva se encontrava nas montanhas em estado de meditação profunda. Por outro lado, está a mítica afro-brasileira de origem yorubá tratando de Exu. Ele é o que guarda os caminhos, remove os obstáculos e permite que Orixás e homens se comuniquem. Conquistou a admiração de Oxalá, e por causa de sua dedicação, ganhou também a capacidade de transitar entre o mundo dos homens e o dos orixás. Exu, dotado de grande astúcia e poder de observação, guarda os caminhos dos homens e dos deuses. Em ambas as tradições, estes serão os primeiros a serem saudados, garantindo o êxito de qualquer rito ou empreitada a ser realizada. Os dois são deuses provedores de fartura e sucesso, podendo transitam entre os universos divino e humano. Ao olhar para este universo mítico a partir do prisma das corporeidades presentes na concretude das manifestações destes elementos etéreos, sendo a dança dos orixás por um lado e a dança clássica indiana Odissi por outro, este artigo visa também o estudo comparativo do gestual que envolve estas duas divindades e as possibilidades de motes para o processo criativo. No caso indiano, os mudras ou hastas se colocam a serviço para tal materialização, enquanto que no caso da danças dos Orixás, existe um repertório gestual e de movimentações codificadas em células de ações particulares a cada um dos deuses. Inicia-se um caminho para olhar nas entrelinhas das míticas que nos cercam, possibilitando a verticalização e um maior entendimento sobre as influências destas nos universos humano e criativo.

Palavras- chave: Mito, gestualidade, dialogo intercultural, processo criativo.

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WEBER, Renata Alessandra. Composição do Personagem Afoju, no espetáculo NJILAS. Goiânia: Universidade Federal de Goiás. Bacharel e Licenciada em Artes Cênicas, Atriz, professora.

RESUMO

Este trabalho apresenta o processo de criação do personagem Afoju no espetáculo NJILAS: Dance e Esqueça de Suas Dores. Descreve o percurso de construção da personagem, que usou como referência imagens arquetípicas presentes nas mitologias grega e africana, especialmente as que se relacionam às figuras de Tirésias (Grécia), Oxalá e Nanã (mitologia afro-brasileira). Na sequência dos estudos, a comunicação também aborda os aspectos físicos do trabalho de corpo e voz, desenvolvido nos laboratórios de criação do Laborsatori Teatro, com a composição de partituras cênicas e sua inserção no contexto do espetáculo.

Palavras-chave: Processo de Criação; Mitologia; Ação Física; Dramaturgias da Imagem.

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